sábado, 8 de janeiro de 2011

2002 nove anos depois

4 personagens são, sem sombra de dúvidas, os maiores protagonistas do penta do Brasil: Rivaldo, Ronaldo, Ronaldinho e Felipão. Após anos peregrinando pelo exterior, finalmente os 4 voltam a trabalhar em seu país.

Ronaldo foi o primeiro a retornar. Ele, que tanto amava o Flamengo, foi para o Corinthians para ganhar mais dinheiro. Nenhuma surpresa para quem foi ídolo do Barça e da Inter para depois defender os grandes rivais, sem se importar com o torcedor.

Felipão foi o segundo. Sua volta para o Palmeiras é louvável. Lugar onde sempre foi e é ídolo. Mas ainda assim, foi convencido por milhões.

Ronaldinho está voltando, também sem surpresas. Saiu do Grêmio deixando o clube a ver navios após abrirem mão de milhões para tê-lo no Olímpico e agora volta fazendo essa pataquada com 3 grandes torcidas do Brasil.

Enquanto isso ele, Rivaldo, o melhor de 2002, o grande craque daquela equipe, volta para jogar no Mogi Mirim. Sem alarde, sem leilões, sem traição, sem milhões. No clube que o revelou. Como ele mesmo disse, se tivesse mais marketing, ele teria sido o melhor do mundo durante uns 3 anos. Rivaldo foi o melhor camisa 10 do Brasil nos últimos 20 anos. Disputou duas Copas, ambas em altíssimo nível e chegou a duas finais.

Mas não usa bigode, nem cabelos longos, nem careca.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

A primeira a gente nunca esquece

A primeira Copa na África. A primeira vez que os dois últimos finalistas caem na primeira fase. É também a primeira Copa em que o mandante não avança. A primeira participação da Eslováquia sem Tcheca. A primeira vez que 4 sul americanos ficam entre os 8 finalistas. A primeira final de mundial com a presença da Espanha.Também é a primeira decisão sem Brasil, Argentina, Alemanha ou Itália. A primeira vez em que um europeu levantará a Copa longe de seu continente. Pode ter o primeiro jogador a fazer 16 gols em mundiais, caso o Klose faça 2 na próxima partida ou baixe um demônio no Villa e ele faça mais 8.

Se a Alemanha vencer o Uruguai, será a primeira seleção bi-terceira colocada.

Independente de quem vença a final, será a primeira conquista de um país que adora futebol.



2010. 80 Anos de Copa. E as novidades nunca acabam.

sábado, 3 de julho de 2010

Tango

Que bom que eu voltei da Argentina antes deste jogo. Lá, eu vi gari brigando com mendigo para ver quem ficava com o lixo. Lá eu ouvi taxistas que não acreditavam na conquista desta Copa, mas como queriam. Um gol de Palermo para eles é como um título.

Um gol de La Pulga Messi, fiquei sem saber como é para os hermanos.

Hoje, acabou a chance do Maradona voltar a ser campeão mundial. Ele não é técnico. É um grande ídolo, mas não treinador.

A Alemanha foi cruel. Fez 1x0 no começo para, logo de cara, deixar os argentinos sentindo-se inferiores. Mas eles são bravos. Tevez é bravo. Vai para frente. Dá esperanças de que o empate pode sair.

Não pode. Klose faz 2x0. Acho que acabou... Mas não, vem a humilhação. 3x0. 4x0. Messi, o grande craque do futebol mundial atual, fez uma Copa fraca. Assim como Maradona em 82, com idade parecida. As lágrimas brotavam em seus olhos antes do fim do cotejo.

Lágrimas que não eram só dele. Eram de cada taxista que me falava que não acreditava em seu país. Lágrima de cada fã absoluto do Palermo. Lágrima compartilhada pelo gari e pelo mendigo, que por 90 minutos deram uma trégua. Lágrima de um país que se vestiu de azul e branco para esta Copa.

Que bom que eu voltei da Argentina antes deste jogo.

PS.: a jovem Alemanha encanta.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

O dia em que Patinho Feio virou épico

Eu considero a peleja disputada entre Uruguai e Gana uma disputa de quarto lugar da Copa. Vi como se fosse um jogo qualquer. Aquele esquecível, que veria para matar uma tarde de férias.

E o jogo começou seguindo os prognósticos. Mais conversava do que via o jogo. Até que no fim do primeiro tempo, a partida começa a ficar interessante após o gol de Gana.

Mas ainda nada que fizesse esse jogo merecer destaque. O gol do Forlán começa a transformar o confronto num belo jogo, regado à emoção.

Ainda nada histórico, mas já passava a prender toda a minha atenção.

Prorrogação. Mais um chopp. Aí vem coisa boa.

Chego a comentar que as duas equipes estão covardes demais para sair um gol. Não saiu, mas queimei a língua.

A defesa de mão do Suárez nos acréscimos do segundo tempo da prorrogação mostrou a loucura máxima, a tentativa de suicídio vinda do desespero de quem está prestes a morrer. Mas o Uruguai sobreviveu. O pênalti caprichosamente tocou na trave e fez do jogo dos despretensiosos um clássico das Copas.

Eu não tinha preferência neste confronto. Mas a partir deste momento, só fazia sentido o Uruguai passar. Do suicídio à glória.

Assim foi.

2006 x 2010

Quartas de final. Zidane passeia frente a um Brasil estrelado e apático. Muita festa, muito oba-oba, muito samba e pouco futebol. Cadê a garra? Cadê a gana pela vitória? Fora Parreira. Que venha alguém linha dura, que acabe com essa palhaçada.

Dunga!

Assim como Parreira, sagra-se campeão da América e da Copa das Confederações.

Diferente de Parreira, não deixa ninguém chegar perto da seleção. Os jogadores precisam de concentração. Diferente de Parreira, não leva uma constelação para a Copa, e sim jogadores esforçados.

Como Parreira, sai nas quartas de final.

Com a cabeça erguida, é verdade. Sem vexame. Perdeu na bola e com honra. Mas perdeu.

Que sirva de lição e que em 2014 não haja nenhum extremismo. Porque a próxima Copa sim será realmente emocionante de ganhar. Ou você acha que Felipe Melo merecia ser campeão do mundo?

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Quartas de final: dois clássicos, a surpresa da semi e o jogo óbvio.

Os jogos históricos entre Brasil e Holanda começaram em 74, quando a Laranja Mecânica colocou o Brasil na roda de seu carrossel e eliminou os atuais campeões. Em 94, veio a vingança num jogo de imagens imortais. Primeiro, o Bebeto embalando seu filho recém nascido com a companhia de Romário e Mazinho, após o Brasil fazer 2x0. Mas a Holanda empatou. E então a épica bomba santa de Branco (que só estava em campo porque o titular Leonardo deu uma cotovelada inesquecível no Tab Ramos, dos EUA) colocou o Brasil na semi. Em 98, o tira-teima: Brasil de Rivaldo e Ronaldo contra Holanda de Kluivert e Bergkamp. 1x1. Pênaltis. E Taffarel resolve decidir em favor da seleção canarinho.
Amanhã, os historicamente ofensivos Brasil e Holanda voltam a se enfrentar. Dessa vez, mais defensivos, feios e pragmáticos. Mas nem por isso menos competitivos e favoritos à Copa.
Argentina e Alemanha possuem uma história ainda mais rica. São as únicas equipes a repetirem em duas Copas seguidas uma final. Em 86, no México, deu Argentina do Maradona. 4 anos depois veio a vingança numa das Copas mais feias da história. A final foi um jogo morno, decidido num pênalti muito, mas muito duvidoso. Já em 2006, foi um dos jogos mais legais da Copa. A Argentina saiu na frente e parecia que ia eliminar os mandantes do certame. Mas a Alemanha empatou e venceu nos pênaltis. Argentinos voltaram para a casa aplaudidos pela torcida.
Esta deve ser a quarta de final mais bonita dessa Copa. Ambas jogam para a frente e têm brilho.
A surpresa da semi sai de Gana x Uruguai. Ainda que bi-campeões, Uruguaios já não figuram mais na elite do esporte bretão. Gana é a salvadora da África na Copa. Nenhum dos dois será campeão. Mas Bulgária de 94, Croácia de 98, Coréia e Turquia de 2002 e Portugal de 2006 têm seus lugares na história. É isso que eles buscarão na partida.
Para finalizar, o jogo óbvio: Espanha passa pelo Paraguai e avança como forte candidato ao título inédito. E nada de Copa América do Mundo. Aposto!

sábado, 19 de junho de 2010

Argentina contra a rapa

A primeira fase da Copa começa a caminhar para o seu fim e já pode-se tirar uma conclusão que deve durar até o final do certame. Existem duas ideologias presentes no torneio: o fundamentalismo tático e o talento desordenado.

A primeira vertente é seguida por 31 seleções. Consiste em tocar a bola de lado insistentemente, evitar dribles, manter durante o maior tempo possível a posse da bola (afinal, assim não toma-se gol) e vez ou outra arriscar chutes e cruzamentos, afinal o gol também tem sua importância.

O talento desordenado, outrora seguido piamente pelos africanos, é a ideologia que hoje tem como líder o protagonista da Copa até então: Maradona. A defesa da argentina é uma mãe. Não tem laterais, apenas um volante, o eterno atacante adversário Demichelis e muito, mas muito talento do meio para a frente. Messi é mais da metade deste talento. Até agora, ele teve duas atuações apenas regulares para o seu futebol. A diferença é que o Messi regular é anos-luz melhor do que a grande maioria. Agüero, o reserva, esbanja habilidade. Tevez é a raça que o Brasil não teve em 2006. Higuaín, Milito e Palermo são garantias de bola na rede. Nada muito ensaiado. Verón e Di Maria também podem aparecer ali na frente, não há gesso tático.

Vulnerável, talentosa e imprevisível, assim é a tática do anti-técnico Dieguito.


Mas a dúvida é: quem está certo? Daqui a 3 semanas, qual será a ideologia vencedora?

Sorte que Copa do Mundo não é eleição.