Porque não são “apenas” 64 jogos de futebol. Copa do Mundo, por pior que seja tecnicamente, é história.
O confronto entre Suíça e Ucrânia, no Mundial da Alemanha, foi um dos jogos de futebol mais feios que eu já assisti. Um 0x0 mesquinho, besta, covarde. Mas se não fosse numa Copa, ninguém jamais teria dado importância a este drama da bola. Virou história.
A decisão de 90, em menores proporções, também foi horrível, decidida em um pênalti para lá de duvidoso. Mas isto já basta para que seja histórica. O quase frango de Pagliuca na final de 94, seguida de um beijo endereçado à trave: história. Zidane fez uma Copa de 98 medíocre, muito pior que a dele mesmo em 2006. Foi expulso, não teve destaque. Mas em um jogo, só um jogo de futebol, foi autor de dois gols de cabeça e isto bastou para sagrá-lo herói, campeão e o melhor jogador do mundo naquele ano. E, de fato, as duas cabeçadas tinham este poder. 2006 foi o oposto para o astro. Futebol fino, elegante. Mas outra cabeçada, desta vez um pouco diferente, transformou o gênio em vilão.
A história dos campos serve também como plano de fundo para enredos da vida de cada um. O filme “O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias” retrata bem este sentimento. Saindo da ficção, a biografia do Bussunda traz a Copa como um importante personagem, capaz de justificar uma doença escondida e até servindo como o triste palco para o fim da vida do humorista.
Na vida de anônimos, ela pode ter funções mágicas. Um cartesianismo meio “top 5 do Alta Fidelidade” faz com que eu divida todas as minhas memórias de acordo com as Copas. Nem sempre sei o ano em que algum fato ocorreu. Mas sempre sei entre quais Mundiais houve o acontecimento.
Ela transcende um torneio de futebol. A foto conjunta da seleção do Irã com a dos Estados Unidos em 98 traduzem isto. A possibilidade de uma nova união verdadeira entre brancos e negros na África do Sul – assim como na Copa de Rugby em 96 – também vão além dos 90 minutos de bola.
Às 11h, a história começa a escrever seu mais novo capítulo. Não me chame para almoçar.

E que histórias. Acredito piamente na falta que Zinedine Zidane fará a aprtir de hoje, aos "Les Bleus". E pelo vídeo, que vídeo! Muito bem, às 11h é hora de se dividir entre estar aqui e lá. Que os Bafana Bafana rolem a bola, porque o show vai começar.
ResponderExcluirJá que você lembrou o pior jogo da copa passada, eu lembro o melhor jogo daquela: a semifinal, Alemanha x Itália.
ResponderExcluirAlém de um tempo normal ótimo teve uma prorrogação que valeu por muitos jogos inteiros. Embora a França tivesse uma grande chance de ganhar a copa, aquele jogo foi a final antecipada tanto pela história como o brilho da partida. Para trazer à memória: o passe do Pirlo foi fantástico, o Grosso chutou como seu fosse a última coisa que faria na copa e o Lehmann se esticou no máximo que poderia. Épico, sensacional. Fica a dica.
Fora o gol do Del Piero, pra fechar o caixão alemão. Belo jogo!
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